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Furnas de Cima

Principais caraterísticas

Pertencente ao município de Aiuruoca, MG


Riquezas Naturais:

Cachoeira da Perciliana, Mirante da Pedra Preta

Número de habitantes:
Atividades Predominantes: Pecuaria Leiteira, apicultura e reflorestamento
Infraestrutura e serviços: Igreja, escola,
Principais Festas: Festa de Reis



 

Histórico

Entre os primeiros moradores de Furnas está o Senhor Chico Esaú, bisavô de Senhor Mário, um de nossos entrevistados, que conta que Furnas “era toda uma família só” e que, quando seus antepassados chegaram, “era mato”. A atividade econômica inicial seguiu o padrão de toda a região, estando voltada para o garimpo do ouro, utilizando-se de mão de obra escrava.

            O Sr. Mário apresenta com detalhes vários aspectos relativos a esse tempo de escravidão, que vão desde valores praticados na compra e venda de escravos, até a narração de passagens relativas a fugas, passando pela descrição de instrumentos de tortura. Conta, por exemplo, sobre uma ex-escrava do avô, Maria do Carmo, explicando “que é a mulher mais velha de Baependi” e que “a escritura dela foi passada em Carmo de Minas. Custou 800.000 réis, naquele tempo”. Segundo ele, o avô vendeu sete alqueires de terra para inteirar e pagar a escrava. No ano seguinte, houve a liberdade e “a negrinha foi embora. Tinha 17 anos”. Em outra passagem, ele menciona a origem do nome de um lugar em Furnas chamado Corumbá, atribuído a um negro assim denominado, que “amoitou-se num buraco da serra” e ficou por mais de um mês. Os negros levavam comida para ele durante a noite.
            Depois do ciclo do ouro e da escravidão, instalaram-se em Furnas de Cima a agricultura de subsistência e a pecuária. O Sr. Mário lembra do tempo de sua infância como um período difícil, porque, além de frequentar a escola, que ficava extremamente distante, as crianças tinham que trabalhar na roça desde pequenas, sujeitas a um padrão de educação em que eram normais as palmadas e castigos físicos. O Sr. Mário conta que levantava às cinco horas da manhã para tirar leite, no alto do Taboão. Trazia leite e tratava dos porcos. Só depois se arrumava para ir à escola, que ficava localizada onde hoje é a Rodoviária de Caxambu. À tarde trabalhava na fazenda, encarregado de achar bezerros e de tratar dos porcos: “Era sacrificado, aguentei isso três anos”. Os irmãos mais velhos também quase não estudaram. Trabalhavam na roça desde pequenos, buscando vacas no pasto. Descalços naqueles campos queimados, rachavam os pés. Também apanhavam muito dos pais. O pai era muito bravo. Sr. Mário fugia dele para não apanhar, mas os irmãos, segundo ele, apanhavam muito.
            O Sr. Jonas dá um testemunho bastante significativo do quanto a prática do mutirão se fazia presente nesse período da história de Furnas de Cima e de toda a região. Percebe-se com clareza o quanto os aspectos festivos estavam bem presentes no dia a dia e no ambiente de trabalho, garantindo e união e, ao mesmo tempo, realimentando as tradições e fortalecendo a identidade local. Em um primeiro momento, ele narra que, quando era criança, “o povo plantava pelas roças. Roçava capoeira, fazia aquelas queimadas grandes e juntava aí, para plantar o milho, 30 a 40 pessoas na capina. Depois que plantava o milho, então arrumava duas turmas de cantador: uma ponta do lado de lá do leito, outra do lado de cá. Uma turma cantava os versos e a outra respondia, cantava também”. As cozinheiras levavam os tachos de comida, os panelões grandes, e o povo almoçava no mato, “tomava uma pinguinha por cima”. Em seguida, Sr. Jonas refere-se à catira, dança que era acompanhada com palmas e sapateado: “O povo dançava, mas não era igual a hoje que o cavaleiro dança abraçado. Era só de longe, um com o outro. Um batia o catira e os outros sapateavam”. Não existia rádio, nem TV, nem luz, nem banheiro, nem conforto nenhum nas casas e tudo era comum.

Agente do projeto em Furnas de Cima: Fabiane
Cargo/função:agente comunitrio
E-mail: furnasdecima@serradopapagaio.org.br
Contato: xxxxxx

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